Solenidade do Efêmero
Eu sou como a flor-cadáver, disposto para o amor a cada sete a dez anos, mas fechado no restante deles. Quando finalmente me abro, há um turbilhão de emoções, um perfume estranho que mistura atração e desconforto, uma intensidade que poucos suportam. É nesse breve instante que mostro minha essência, minha beleza escondida sob camadas de silêncio e solidão.
Mas logo me fecho novamente. Não por vontade, mas porque é da minha natureza. Recolho-me às sombras, ao meu mundo de raízes profundas, onde o tempo é lento e o coração aprende a bater em intervalos espaçados, como quem tem medo de viver rápido demais.
Amar, para mim, é um evento raro, um espetáculo que exige tudo o que sou. E depois dele, só resta a espera. Uma espera que dói, mas também conforta, pois sei que, um dia, ainda que distante, a flor renascerá. E nesse renascer, talvez encontre alguém que não tenha medo de ficar. Só não será por agora.
Uma prosa de difelipes
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