O Conto da Natureza
Perdido,
Era assim que ele se sentia enquanto caminhava sem rumo pela floresta. Os pés descalços, se conectando com cada raiz, cada grão de terra, cada folha caída. Mas em seu coração, ele estava perdido. Voltaria? Perderia aquele tempo tentando se reencontrar?
Enquanto decidia o que fazer, ele sentiu uma gota do orvalho da manhã cair em seu rosto. Foi como um choque. Ele arrepiou. Ali ele se encontrou.
Continuou. Tocou nos musgos das árvores e olhou para cima. Chuva. A natureza cantava para ele. E ele esqueceu dos seus problemas. Era como se aquela sensação fosse morfina, aliviando todas as suas dores emocionais e físicas.
Ele pensou por um momento: “Por que ainda me sinto tão preso? O que há em mim que não consegue encontrar paz?”
E foi instantâneo. Ouviu os sussurros das fadas, os passos dos gnomos e o cantar da deusa água. Ele caminhou até uma caverna, seguindo uma das fadas. Olhando do lado de fora, a caverna era escura, cheia de segredos. Ele venceu o medo e entrou.
No fundo da caverna havia uma passagem, mas antes de chegar até ela, gritos o assombravam. Era como um túnel cheio de armadilhas para conseguir chegar ao destino final. Ele pensou em desistir. Mas, então, lembrou-se de algo que sempre ecoava em sua mente: “Enfrente seus medos. É o único caminho.”
A morte era certa, mas enfrentá-la poderia ter seus benefícios. Ele deu o primeiro passo. Um grito estrondoso o assustou. No segundo passo, olhos o observavam. Segredos ocultos poderiam ser revelados, mas ele não tinha nem um. No terceiro passo, sentiu o corpo arrepiar, a morte passou perto dele. Naquele caminho, chamado Vale da Sombra e da Morte, ele viu sua vida passar diante dos seus olhos.
Mas prosseguiu. A fé naquele lugar o fazia ter coragem. Ele cerrou os punhos e, determinado, continuou o caminho.
Ele caiu. Antes de chegar ao fim do túnel. Antes de descobrir o que havia por trás dos ramos das folhas caídas ao fim daquela passagem. Ele se viu em um vazio profundo, escuro.
As vozes voltaram mais altas. Medo. Seu corpo tocou o chão. O impacto o fez ficar deitado por um momento, absorvendo as dores. Ele fechou os olhos e, entre os ecos dos gritos, uma pergunta surgiu: “Por que estou aqui?” Mas não havia resposta.
Abriu os olhos e a viu. Suas roupas longas flutuavam pelo ar. Seus longos cabelos verdes voavam com o vento. Ele se apaixonou por ela.
A mulher do rosto rosado, olhos puxados e um sorriso tímido no rosto, o havia encantado.
Ela segurou sua mão, o ergueu, sorriu. Mostrou a ele as águas da cachoeira. Sentaram e ouviram o farfalhar das árvores, era como se elas aplaudissem aquele momento.
Ele se sentiu em casa. A deusa Lua os observava. Ela sorria. O deus Sol aquecia os corações.
Ele olhou para ela. Queria tê-la. Mas não podia.
Ela era a natureza.
difelipes
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