Entre mim e eu
Eu sou melhor sozinho, como diz a letra da música. Eu consigo caminhar e conversar comigo mesmo. É mais fácil eu sair em um encontro comigo mesmo do que com alguém.
Eu acredito que já tenha encontrado o amor, mas em mim. Não em outra pessoa. É tão fácil eu aproveitar as minhas músicas, meus filmes, meus livros.
Eu consigo conversar horas comigo que não me canso. E isso não é ruim. Eu passei a amar minha própria companhia e esqueci como é a companhia de alguém que esteja interessado em se relacionar comigo. Os assuntos não são legais, são extensos e chatos. Causam sono.
Já comigo... comigo mesmo é como um rio tranquilo que flui de uma nascente. E nesse rio tranquilo que sou, eu encontro tudo o que preciso. As águas refletem os pensamentos mais profundos, as ideias que ninguém mais entenderia, os silêncios que o mundo tanto teme. Não há pressa, não há cobranças. Apenas o som suave do meu fluxo, guiando-me para onde eu quiser ir.
Comigo, os diálogos são sinceros, as pausas são respeitadas, e as respostas vêm no momento certo. Não há espaço para julgamentos ou expectativas. Eu sou meu próprio confidente, meu melhor amigo, meu próprio amante. Descobri que o amor que busquei em outros estava o tempo todo aqui, nas dobras dos meus sentimentos, no eco dos meus pensamentos.
As pessoas dizem que a solidão é um vazio, mas para mim, é plenitude. É sentar à beira desse rio interno e ouvir a sua história. É me perder nos detalhes que só eu conheço, nos segredos que só eu guardo. Não é que eu tenha fechado as portas para o mundo; é que encontrei um mundo inteiro dentro de mim. E ele é vasto, profundo, interminável.
O silêncio, muitas vezes tão temido, tornou-se um velho amigo. Ele me conta verdades que as palavras não conseguem alcançar. Ele me ensina que não preciso de multidões ou de alguém ao meu lado para me sentir completo. Completo, eu já sou.
Talvez um dia alguém consiga acompanhar esse fluxo, navegar por minhas águas sem tentar moldá-las, sem temer suas profundezas. Mas, até lá, estou em paz comigo mesmo. E isso, descobri, é o que realmente importa.
At.te,
difelipes
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