devaneios da viagem
Vivemos em uma viagem diária para um destino que não sabemos qual é. Estamos flutuando pelo espaço e não sabemos para onde estamos indo. Fechamos os olhos à noite sem a certeza de que os abriremos pela manhã. Então, o que me prende a algo inconclusivo? O que me torna fixo a algo que não sabemos o que é? Será amor? Ódio? Amizade? O que realmente estamos fazendo durante essa viagem? Vale a pena admirar a paisagem? Tantas incógnitas e tão poucas respostas. Mas, talvez, seja exatamente essa falta de direção que torne tudo tão doloroso. Essa sensação de estar à deriva, preso em um tempo que não espera, em um espaço que não perdoa. Flutuamos, sim, mas como folhas carregadas pelo vento, sem raízes, sem controle, sem propósito claro.
E então me pergunto: por que continuar? O que há de tão fascinante na rotina de amanheceres e entardeceres que me faz insistir, quando tudo ao meu redor parece se desintegrar aos poucos? Talvez seja o amor, mas o amor se desfaz. Talvez seja a amizade, mas até ela sucumbe ao tempo. Talvez seja apenas o medo de parar – porque parar seria encarar o vazio, e o vazio é insuportável.
A paisagem, por mais bela que seja, muitas vezes parece desbotada, sem cor, como se nossos olhos não fossem mais capazes de absorver sua beleza. Admirá-la? De que adianta, se ela também é efêmera? Tudo que tocamos, tudo que vemos, tudo que amamos... tudo desaparece, como um suspiro que se perde no silêncio.
Estamos nesta viagem não porque queremos, mas porque não temos escolha. A cada passo, deixamos pedaços de nós mesmos para trás, esperando que eles criem raízes, mas raramente criam. E o destino? Talvez ele nem exista. Talvez seja só um eco distante, uma promessa vazia que nos empurra adiante, mesmo que saibamos, lá no fundo, que nunca chegaremos.
Então continuamos, não por esperança, mas por hábito. Porque, no fundo, tudo parece tão inconclusivo que desistir seria admitir que o vazio venceu. E talvez ele vença, um dia. Mas até lá, seguimos. Não porque queremos, mas porque ainda não sabemos como parar.
Uma prosa de difelipes
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