Ah, o amor...

Ah, o amor. Na TV tão lindo, tão convidativo, tão... Sei lá, tão bom... Mas será que existe? Será que só funciona se for entre duas pessoas que parecem ser destinadas pelo destino, ou o amor é variável? O amor é tão bonito nas outras pessoas e tão esquisito em mim. Eu me sinto aquelas pessoas excluídas na escola, onde ninguém olha para ela, mas ela está ali, sentada, sozinha.

Será que o amor é como nas histórias que lemos? Aquelas em que duas almas se encontram no momento certo, no lugar certo, como se o universo inteiro conspirasse por aquele instante? Ou será que é mais como uma melodia desajeitada, onde as notas nem sempre se encaixam, mas, ainda assim, têm seu encanto? Talvez o amor não seja esse espetáculo perfeito que pintam, mas uma construção torta, cheia de defeitos, de tentativas e erros.

Eu observo os casais na rua, nos cafés, nos filmes... Eles sorriem, tocam as mãos, riem de piadas que só eles entendem. Parece tão fácil. Mas, quando olho para mim, sinto que há algo fora do lugar, como se eu não tivesse a chave certa para abrir essa porta. Talvez eu nem saiba onde fica a fechadura.

E se o amor for para quem sabe amar? Para quem sabe se entregar sem reservas, sem medo de cair? Eu me pergunto isso enquanto vejo as pessoas se encontrarem, se perderem, se amarem e se ferirem. É como se eu fosse um espectador de algo que nunca tive coragem de experimentar de verdade. Talvez por medo, talvez por não acreditar que seja para mim.

Será que o amor chega como um furacão, mudando tudo de repente, ou ele cresce devagar, como uma planta que precisa ser cuidada? Eu não sei. Só sei que às vezes sinto falta de algo que nunca tive. Um vazio que não sei se é saudade ou apenas curiosidade.

E se o amor for mais simples do que parece? Um gesto pequeno, um olhar sincero, um silêncio compartilhado? Talvez eu esteja procurando algo tão grandioso que esqueço de notar os pequenos indícios, as sutilezas. Quem sabe o amor não seja algo que se encontra, mas algo que se cria, que se descobre em meio ao caos.

Ou talvez, apenas talvez, o amor seja só uma história bonita que contamos a nós mesmos para tornar a vida mais suportável. E, mesmo assim, querendo acreditar nele, me prendo ao pensamento de que ele não é para mim.


difelipes

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