Os Fragmentos da Essência – Parte II
Um conto de difelipes
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Alice levantou-se do banco da praça, ainda com as palavras da senhora ecoando em sua mente: “O que dura é o que exige paciência.” Ela caminhou sem rumo, observando as luzes tremularem nas vitrines das lojas. Cada reflexo parecia um pedaço de um quebra-cabeça que ela não conseguia montar. O celular ainda estava desligado no bolso, um gesto simples que, para ela, simbolizava um ato de rebeldia.
Ao dobrar uma esquina, Alice viu um café pequeno e acolhedor, com luzes quentes e poucas mesas. Uma placa na entrada dizia:
“Aqui, conversamos. Sem Wi-Fi, sem pressa.”
Ela sorriu. Entrou e escolheu uma mesa perto da janela. O lugar exalava uma serenidade que contrastava com o caos lá fora. Não demorou para que um atendente viesse até ela, segurando um caderninho.
— Boa noite! O que vai querer? — perguntou com um sorriso genuíno.
— Um chá, por favor. Surpreenda-me com o sabor.
Enquanto ele anotava o pedido, Alice olhou ao redor. As poucas pessoas presentes estavam conversando, rindo, gesticulando. Sem celulares à vista. Aquilo parecia uma pintura surreal. Quando o chá chegou, junto com um biscoito simples, Alice puxou o caderno que sempre carregava. Havia tempos que não o abria.
Ela começou a rabiscar. Primeiro palavras soltas: conexão, fragmentos, essência, verdade. Depois, frases começaram a se formar. Um pensamento dominava sua mente: O que é real não pode ser filtrado.
Foi interrompida pela voz de alguém.
— Você escreve?
Alice levantou os olhos. Um homem jovem, com um caderno parecido ao dela, estava de pé ao lado de sua mesa.
— Sim. Tento, pelo menos — respondeu com um sorriso tímido.
Ele puxou uma cadeira e perguntou: — Posso?
Alice assentiu. Havia algo intrigante nele, algo diferente. Não parecia apressado ou distraído.
— O que escreve? — ele perguntou, mostrando interesse genuíno.
— Reflexões, eu acho. Sobre como o mundo parece... fragmentado. — Alice hesitou, mas continuou: — E você?
— Histórias sobre pessoas. Sobre como, no fundo, todos estão buscando algo, mesmo que não saibam o quê.
Ela riu suavemente. — Acho que estamos escrevendo a mesma coisa, então.
A conversa fluiu como um rio calmo, sem pressa. Pela primeira vez em muito tempo, Alice se sentiu conectada com alguém. Não havia filtros, nem telas. Apenas palavras, olhares e a essência de duas pessoas compartilhando um momento.
Naquela noite, ao sair do café, Alice percebeu algo importante: a essência não se encontra sozinha. Está nos pequenos atos de coragem, como desligar o celular, abrir um caderno e, às vezes, deixar alguém entrar em sua bolha. Afinal, os fragmentos podem ser mais belos quando vistos juntos.
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