Zé Martin e a Botija de Ouro

Um conto popular em prosa de difelipes

Sente-se que eu vou começar,
A falar da história que meu avô para minha mãe costumava contar:

Em uma noite de lua cheia,
Zé Martin estava adormecido na esteira. 
Enquanto dormia, sonhou com uma coisa que jamais esqueceria.
Uma "aima" do além lhe apareceu para avisar, que se Zé Martin chamasse sua "mulé", Ambrozina, e seu irmão Mané Bentevi e seguisse pela estrada longa daquele lugar, uma botija de ouro no fim dela iria encontrar.
Zé Martin acordou desesperado, e na ambição de ter tudo só pra si, saiu sozinho pela estrada que a "aima" tinha falado.
Os primeiros passos foi moleza, até o momento em que viu um círculo de freiras rezando ao redor de uma vela e lhe subiu os pêlos da cabeça.
Ainda com a coragem de cabra macho que era, Zé Martin seguiu pela estrada velha.
Logo à frente, um homem pescava. De madrugada? Zé Martin não ligou, cumprimentou o homem:
— Boa noite — o homem não respondeu.
— Boa noite — disse Zé Martin outra vez, sem resposta, de novo.
— Boa noite — pela terceira vez. 
Foi aí que em vez de responder o homem fez: rum, com raiva. Deu uma rabissaca e continuou a pescar. Mal educado, Zé Martin pensou. Quando melhorou as vista, viu que o homem que pescava não tinha cabeça. 
— Vixi, Maria, uma besta! 
Zé Martin apressou os passos, quase correndo, ainda queria pegar a botija de ouro que a "aima" do além insistia em seu sonho falar. 
Ao subir a ladeira,  chegando no topo olhou para o céu e viu uma cobra gigante voando. Quem disse que ele tinha forças pra correr? Zé Martin desesperado, sem nem entender como, foi parar na casa do seu João da Peda, o coração já saindo pela boca.
Caiu duro, esticado. 
João da Peda ouviu o barulho do baque. 
— Dai, pelamordedeus, "trais" café forte e sem açúcar pro cumpade. 
Quando Zé Martin levantou, contou pra João da Peda o que viu.
— O sinhô é doido cumpade? Por que não chamou dona Ambrozina e seu Mané pra vim cum sinhô?
E aí quem sabe? 
Zé Martin queria o ouro somente pra ele, sem ter que dividir com ninguém, nem com esposa ou com irmão, nem mesmo com seu cumpade.

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